Da padronização à individualização: o joelho como variável clínica
A ideia de que existe uma única forma correta de operar um joelho está sendo desmontada — e o CBCJ 2026 parte exatamente desse ponto. Logo no primeiro dia do evento da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho, discussões sobre fenótipos do joelho e alinhamento em artroplastia total questionam o modelo mecânico tradicional, enquanto sessões específicas analisam como a robótica pode adaptar a cirurgia ao perfil anatômico e funcional de cada paciente.
Essa mudança de paradigma aparece de forma explícita em perguntas centrais do programa: o alinhamento mecânico ainda é o melhor? A robótica melhora resultados clínicos ou apenas refina execução? A resposta não vem pronta — ela é debatida com base em evidência e prática.
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09 de abril de 2026 a 11 de abril
Royal Palm Hall
Campinas/SP
O que o CBCJ revela sobre o futuro da especialidade
O CBCJ 2026 deixa claro que a cirurgia do joelho caminha para três eixos principais: Personalização baseada em fenótipo e biomecânica; Integração entre tratamento clínico, intervencionista e cirúrgico e Uso crítico — e não automático — de tecnologia.
A programação internacional do congresso é reforçada com a presença de especialistas de referência em cirurgia do joelho e ortopedia esportiva. Entre os convidados estão Aaron Krych (Estados Unidos), Antonio Ortega (México), Christopher Dodd (Reino Unido), César Rocha (Colômbia) e David Dejour (França), reconhecido mundialmente por seus estudos em instabilidade patelofemoral. O intercâmbio científico também inclui nomes como Lisandro Carbó (Argentina), Matthieu Ollivier (França), Michael Hirchmann (Suíça) e Michel Bonnin (França), além de Rolando Suárez (Peru), Rushay Bhalodia (Índia) e Stefano Zaffagnini (Itália), ampliando o debate sobre técnicas cirúrgicas, inovação tecnológica e tendências globais na área.
Robótica em evidência — mas sob escrutínio técnico
A tecnologia ocupa espaço relevante, mas longe de um discurso promocional. O congresso dedica blocos inteiros para avaliar criticamente: Diferenças reais entre sistemas robóticos; Impacto da robótica no alinhamento funcional e Relação entre design de implantes e personalização cirúrgica.
A presença de palestras específicas sobre “como a robótica eleva a medial pivot” e comparações diretas entre plataformas mostra que o foco está na aplicação prática — e não na adoção a crítica da tecnologia.
Osteoartrite além da cirurgia: o avanço das terapias combinadas
Antes de chegar ao centro cirúrgico, o CBCJ mergulha na osteoartrite com uma abordagem ampliada. O Módulo 1 abre espaço para discutir desde tratamento medicamentoso até ortobiológicos, passando por intervenções como proloterapia, bloqueios geniculares e embolização.
Esse desenho indica uma tendência clara: a cirurgia deixa de ser o ponto inicial e passa a ser parte de uma linha de cuidado mais complexa, que inclui: Viscossuplementação e suas variações; Terapias biológicas emergentes; Estratégias intervencionistas guiadas.
Menisco, cartilagem e os limites da indicação cirúrgica
Um dos blocos mais diretos do congresso está na discussão sobre o que operar — e quando evitar operar. Sessões abordam decisões que fazem diferença no desfecho: Indicação de sutura em lesões de raiz do menisco medial; Manejo de alça de balde e limitações técnicas; Uso de osteotomias como estratégia adjuvante e Critérios para intervenção em lesões condrais fêmoro-patelares
Há ainda um ponto incomum em congressos: o debate explícito sobre limites éticos na incorporação de novas tecnologias, inserindo a discussão clínica em um contexto mais amplo de prática médica.
LCA e reconstrução ligamentar com abordagem “menu a la carte”
Na reconstrução do ligamento cruzado anterior, o CBCJ abandona protocolos rígidos e adota um raciocínio modular. Técnicas como reforço extra-articular, osteotomias de slope e combinações cirúrgicas são discutidas como escolhas estratégicas — não como padrão.
A proposta de um “menu a la carte” para cirurgia do LCA sintetiza essa lógica: cada caso exige combinação específica de técnica, enxerto e abordagem.
Casos clínicos, prática guiada e decisão em tempo real
Além das sessões tradicionais, o congresso investe em formatos mais aplicados, como: Discussões de casos com reconstruções complexas de LCA; Técnicas minimamente invasivas com âncoras e reparos do mecanismo extensor; Curso paralelo focado em dor crônica e intervenções guiadas por ultrassom e Treinamento prático em infiltrações e bloqueios geniculares
Esse modelo aproxima o conteúdo da rotina ambulatorial e cirúrgica, com foco em execução e tomada de decisão.
Os temas livres aprovados podem ser consultados em: Pôster e Oral
O evento tem ainda um aplicativo oficial tanto para IOS como para Android, que podem ser baixados com esse QR
O autor: Vitor Louzado é jornalista e fotógrafo com mais de 35 anos de experiência profissional. Atuou em jornais e revistas estaduais e nacionais, além de assessorias de imprensa e coberturas oficiais do Poder Executivo no Brasil e no exterior. Fundador dos sites passelivre.click e eventosmedicos.passelivre.click, Louzado produz conteúdos digitais combinando jornalismo de qualidade com insights de marketing digital. Mais informações: https://br.linkedin.com/in/vitorhugolouzado
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