Trabalhos Científicos
- Data Limite: 02/03/2026 às 23:59:00
- Data do Resultado: 13/04/2026
- Idioma: Português
Já está confirmado: o 1º Congresso Brasileiro de Assimetrias Cranianas 2026 em BH (Belo Horizonte/MG) acontecerá em 2026. As atividades terão início às 08h30, sediadas no The One Business, em Belo Horizonte/MG.
Torcicolo congênito, craniossinostose e plagiocefalia posicional em debate multidisciplinar
A inauguração de um congresso dedicado exclusivamente às assimetrias cranianas na pediatria brasileira não é um evento protocolar. Ela sinaliza o amadurecimento de uma área que, por décadas, foi fragmentada entre especialidades que raramente dialogavam de forma estruturada — fisioterapia, neurocirurgia, ortodontia, oftalmologia, fonoaudiologia e osteopatia tratando o mesmo lactente a partir de referenciais clínicos distintos e frequentemente desconectados. O 1º Congresso Brasileiro de Assimetrias Cranianas, promovido pela Sociedade Brasileira de Assimetrias Cranianas e Torcicolo Congênito, propõe exatamente esse encontro: não apenas de especialistas, mas de evidências.
A programação científica tem como fio condutor a distinção entre deformidades posicionais e craniossinostoses — uma diferenciação que, embora conceitualmente estabelecida, ainda gera condutas equivocadas na atenção primária. A Dra. Sandra Kaplan, uma das principais referências internacionais em torcicolo muscular congênito (TMC), abre o congresso apresentando as recomendações mais recentes do Clinical Practice Guideline de 2024 para TMC, documento produzido com suporte da American Physical Therapy Association que redefiniu critérios de encaminhamento, janelas terapêuticas e desfechos esperados por faixa etária.
A atualização de diretrizes dessa natureza tem impacto direto sobre o prognóstico: intervenções fisioterapêuticas iniciadas antes dos dois meses de vida, com foco no alongamento do esternocleidomastóideo e na reeducação postural global, demonstram taxas de resolução superiores a 90% em estudos controlados. O atraso no diagnóstico, tema explorado pela Dra. Lívia Gantuss em mesa-redonda dedicada, inverte esse prognóstico de forma expressiva.
Um dos eixos científicos mais densos da programação é a relação entre torcicolo congênito e assimetrias cranianas posicionais — plagiocefalia e braquicefalia — como manifestações interdependentes e não como diagnósticos isolados. O Dr. Fábio Soler aborda a biomecânica cervical e as escalas de gravidade aplicadas à prática fisioterapêutica, enquanto a Dra. Talena Jinkoski examina os impactos dessas assimetrias no desenvolvimento motor do lactente, área em que a literatura recente aponta correlações com atrasos na aquisição de marcos motores grosseiros quando o torcicolo não é tratado de forma precoce.
A Dra. Richelma Barbosa conduz dois momentos científicos relevantes: a análise comparativa das escalas CHOA, Flannery e Argenta — instrumentos de mensuração da deformidade craniana cuja padronização ainda é heterogênea entre serviços brasileiros — e a discussão clínica sobre o papel do TMC para além do encurtamento do ECOM, reconhecendo componentes fasciais e neuromeníngeos frequentemente subestimados.
A craniossinostose ocupa posição central no segundo dia científico, com uma abordagem que transita do diagnóstico diferencial à cirurgia reconstrutiva. O Dr. Franklin Faraj apresenta uma visão sistematizada das cranioestenoses para o não-neurocirurgião — informação crítica, dado que o primeiro contato com o lactente sintomático ocorre invariavelmente na pediatria geral ou na fisioterapia. O Dr. Mark Proctor, de Boston Children’s Hospital, traz experiência de centro de referência internacional no tratamento endoscópico da craniossinostose, incluindo sua aplicação em formas sindrômicas, onde a abordagem minimamente invasiva enfrenta desafios biomecânicos distintos.
A mesa-redonda coordenada pelo Dr. Emmanuel Sá confronta tecnicamente a cirurgia aberta e a técnica endoscópica — debate que envolve não apenas resultados estéticos, mas janelas de intervenção, remodelamento craniano pós-operatório e protocolos de órtese no pós-cirúrgico, tema aprofundado pelo Dr. Marcos Devanir.
A órtese craniana atravessa toda a programação como tecnologia terapêutica em processo ativo de reavaliação. A Dra. Mariana Maia compara orteses tradicionais e impressas em 3D — abordagem que introduz questões sobre personalização, custo-efetividade e evidências de equivalência clínica ainda em consolidação.
A Dra. Ana Soares discute a fisioterapia combinada ao uso ortótico, e a Dra. Lívia Gantuss apresenta a mensuração volumétrica tridimensional como ferramenta de acompanhamento objetiva, substituindo graduações clínicas subjetivas por dados quantitativos reproducíveis. O Dr. Sandro Lemos conduz o dilema do timing de intervenção — tema em que a literatura ainda não oferece consenso absoluto, mas onde a janela entre quatro e sete meses de vida emerge como período de maior responsividade ao tratamento conservador.
Conexões clínicas menos exploradas também compõem o programa com rigor. A Dra. Karina Bittar examina a relação entre plagiocefalia posicional e maloclusões dentárias, área de interface entre ortodontia funcional e medicina do desenvolvimento craniofacial.
A Dra. Maria Teresa aborda a anquiloglossia como fator associado ao torcicolo e às assimetrias, contexto em que mitos diagnósticos e superestimação da prevalência têm gerado indicações cirúrgicas questionáveis. O Dr. Douglas Lima propõe a tríade cervical-nervo vago-refluxo como eixo negligenciado, abrindo espaço para discussões sobre disfunção autonômica em lactentes com posicionamento assimétrico crônico.
O que este congresso representa, em termos científicos, é a tentativa de construir um vocabulário clínico comum entre especialidades que frequentemente operam em paralelo. A avaliação genética das cranioestenoses, apresentada pela Dra. Luciana Vinhal, a oftalmologia nas assimetrias craniofaciais discutida pela Dra. Marina Leão, e o olhar da fonoaudiologia sobre os desequilíbrios orofaciais apresentado novamente pela Dra. Maria Teresa são expressões dessa necessidade. O paciente pediátrico com assimetria craniana raramente é monoespecialidade — e o congresso parece ter compreendido isso como premissa estrutural, não como adendo programático.
ALGUNS DO PRINCIPAIS PALESTRANTES
| Nome | Especialidade / área | |
|---|---|---|
| Sergio Cavalheiro | Neurocirurgia pediátrica | É amplamente reconhecido como um dos nomes mais fortes da neurocirurgia pediátrica no Brasil, com presença recorrente em contextos de referência na área. mespoir+1 |
| Fernando Gomes | Neurocirurgia pediátrica | Tem destaque nacional por atuação em temas complexos e por ser associado a referências de alto nível em neurocirurgia pediátrica. |
| Paulo Niemeyer Filho | Neurocirurgia | É muito reconhecido na neurocirurgia brasileira, com forte prestígio institucional e clínico. |
| Guilherme Lepski | Neurocirurgia | Especialista de alto nível em casos complexos, com boa reputação pública na área. mespoir+1 |
| João Luiz Pinheiro Franco | Neurocirurgia de coluna | Neurocirurgião de grande reconhecimento, especialmente em coluna e cirurgia especializada. |
Explorar mais: Este evento faz parte do nosso acervo de Congressos de Pediatria e do calendário de eventos médicos em MG.
NR: Nossa equipe analisou a programação científica do 1º Congresso Brasileiro de Assimetrias Cranianas 2026 em BH (Belo Horizonte/MG) e selecionou os eixos que definem o futuro da especialidade. Esta seleção reflete uma perspectiva focada em pesquisadores com forte trânsito entre a bancada de laboratório e a prática clínica. Vale ressaltar que a lista fornecida é composta por nomes de altíssimo calibre, e outros profissionais presentes também teriam mérito absoluto para compor um painel de qualquer congresso internacional de alto nível.
