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Gastroenterologia Pediátrica em Transformação (Salvador/BA)

Trabalhos Científicos

  • Data Limite: 16/03/2026 às 23:59:00
  • Data do Resultado: 17/04/2026
  • Idioma: Portugês
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Já está confirmado: o Gastroenterologia Pediátrica em Transformação (Salvador/BA) acontecerá em 2026. As atividades terão início às 09H, sediadas no Centro de Convenções de Salvador, em Salvador/BA.

5 min de leitura

Avanços clínicos e desafios atuais na pediatria digestiva

Há alguns anos, grande parte dos debates em gastroenterologia pediátrica girava em torno de aperfeiçoar diagnósticos já estabelecidos. A programação científica apresentada no 20º Congresso Brasileiro de Gastroenterologia e Hepatologia Pediátrica mostra uma mudança perceptível de eixo: a discussão agora avança para identificar quais pacientes realmente demandam estratégias distintas das utilizadas em adultos e como incorporar tecnologias emergentes sem ampliar desigualdades de acesso.

A doença inflamatória intestinal ocupa posição central nessa transição. A sequência de temas envolvendo desafios diagnósticos, doença perianal, ultrassonografia intestinal, diferenças terapêuticas entre crianças e adultos e doenças inflamatórias intestinais muito precoces sugere uma preocupação crescente com a heterogeneidade biológica dos pacientes pediátricos. A participação de Javier Martín-de-Carpi e José Carlison Santos de Oliveira reforça uma mensagem prática relevante: reconhecer precocemente fenótipos atípicos pode alterar todo o raciocínio clínico, especialmente quando mecanismos imunológicos passam a influenciar a investigação.

Outro sinal importante aparece na presença recorrente das DGBIs. A conferência internacional de Carlo Di Lorenzo sobre o que virá no Roma V, seguida das discussões sobre neuromodulação, neurobiologia da dor gastrointestinal, gastroparesia e ruminação, indica que os transtornos da interação intestino-cérebro deixaram de ocupar um espaço periférico na prática clínica. O foco desloca-se da exclusão de doença orgânica para a compreensão dos mecanismos envolvidos na geração e manutenção dos sintomas.

Poucos temas ilustram tão bem a convergência entre imunologia e gastroenterologia quanto a programação dedicada às alergias alimentares e à esofagite eosinofílica. Diagnóstico, tratamento, indução de tolerância, teste de provocação oral e uso de biológicos aparecem distribuídos ao longo do congresso, refletindo uma área em rápida evolução clínica. O lançamento de um consenso nacional sobre esofagite eosinofílica amplia ainda mais a relevância desse eixo temático.

A microbiota intestinal surge em um contexto menos especulativo do que se observava em anos anteriores. Em vez de promessas genéricas, a programação concentra-se em pré e probióticos, SIBO, disruptores alimentares e oligossacarídeos do leite humano associados ao microbioma em lactentes com proctocolite alérgica. A seleção dos temas sugere maturação do campo, com maior interesse por aplicações clínicas concretas e menos espaço para extrapolações.

Na hepatologia pediátrica, a discussão avança simultaneamente em duas frentes. De um lado, aparecem genética, inteligência artificial, biomarcadores não invasivos e doenças hepáticas associadas ao Fontan. De outro, persistem desafios clássicos ligados ao transplante, insuficiência hepática e doenças metabólicas. A coexistência desses assuntos evidencia uma especialidade que tenta incorporar ferramentas de precisão sem perder de vista problemas que continuam determinando prognóstico.

O aspecto mais interessante da programação talvez esteja justamente na intersecção entre especialidades. Inteligência artificial, testes genéticos, medicina de precisão, terapias nutricionais complexas e novas abordagens para doenças crônicas aparecem repetidamente em diferentes salas. Esse padrão sugere que o futuro da gastroenterologia pediátrica será menos definido por órgãos específicos e mais pela capacidade de integrar múltiplas disciplinas em decisões clínicas cada vez mais individualizadas.

Top 5 Palestrantes – Destaque em Gastroenterologia e Hepatologia Pediátrica

Palestrante Destaque e Justificativa Acadêmica
Jorge Bezerra Referência mundial em atresia biliar e patologia hepática pediátrica. Sua produção científica sobre os mecanismos moleculares da colestase neonatal é um pilar fundamental da nossa especialidade.
Carlo Di Lorenzo Líder global em distúrbios da interação cérebro-intestino e motilidade gastrointestinal. Sua coordenação nos comitês de Roma (III, IV e V) moldou o diagnóstico e o manejo dessas condições em pediatria.
Gilda Porta Nome central na hepatologia pediátrica brasileira. Sua atuação no manejo de doenças hepáticas graves e transplante hepático infantil é referência nacional de excelência e prática baseada em evidências.
Mauro Batista de Morais Professor titular da UNIFESP, é um dos nomes mais influentes no Brasil em pesquisa clínica sobre nutrição e distúrbios gastrointestinais pediátricos, com vasta produção acadêmica e reconhecimento internacional.
Luciana Rodrigues Silva Professora titular da UFBA e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria. Sua influência vai além da clínica, consolidando redes de pesquisa e promovendo o desenvolvimento científico e educacional da especialidade no país.
NR: (1) Esta seleção prioriza o equilíbrio entre a inovação tecnológica/pesquisa básica (como o trabalho de Jorge Bezerra em hepatopatias) e o manejo clínico de alta complexidade (como os avanços em motilidade e transplante trazidos pelos demais). (2) Conteúdo atualizado em 1º de junho de 2026.

NR: Nossa equipe analisou a programação científica do Gastroenterologia Pediátrica em Transformação (Salvador/BA) e selecionou os eixos que definem o futuro da especialidade. Esta seleção reflete uma perspectiva focada em pesquisadores com forte trânsito entre a bancada de laboratório e a prática clínica. Vale ressaltar que a lista fornecida é composta por nomes de altíssimo calibre, e outros profissionais presentes também teriam mérito absoluto para compor um painel de qualquer congresso internacional de alto nível.

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