Trabalhos Científicos
- Data Limite: 01/03/2026 às 23:59:00
- Data do Resultado: 23/04/2026
- Idioma: Inglês
Já está confirmado: o Congresso EANS 2026: IA, neuro-oncologia e inovação técnica (Hamburgo) acontecerá em 2026. As atividades terão início às 08h, sediadas no Congress Center Hamburg (CCH), em Hamburgo/.
O que diferencia este congresso de um webinar sobre IA em neurocirurgia
O maior congresso de neurocirurgia da Europa, promovido pela The European Association Neurosurgical Societies, centraliza suas discussões no Congress Center Hamburg (CCH), consolidado como ponto de convergência para mais de 2.000 neurocirurgiões de múltiplos continentes. O lema “Responsibility, Endurance and Resilience” não é retórica — é o eixo que organiza uma programação construída sob pressão real: avanços tecnológicos que chegam mais rápido do que os currículos de residência conseguem absorver.
Aqui o Google não responde. O EANS 2026 é a primeira vez que a Japanese Society for Neurosurgery participa como sociedade nacional convidada de um congresso anual da EANS — um sinal de que a associação, oficialmente europeia, opera como plataforma de convergência neurocirúrgica global. Isso tem implicação prática: o neurocirurgião que comparecer terá acesso a dados de séries japonesas — particularmente relevantes em cavernomas cerebrais, glioblastoma recorrente e craniectomia descompressiva — que não aparecem em revisões europeias convencionais.
A programação estrutura-se em 18 trilhas científicas, e a densidade técnica varia muito entre elas. Abaixo, o que realmente importa para quem precisa decidir se o investimento vale.
Análise elaborada com base nas trilhas científicas e informações oficiais do EANS 2026 Congress. Conteúdo voltado a neurocirurgiões e profissionais de saúde com formação técnica em neurociências.
As trilhas com maior densidade de impacto clínico imediato
Neuro-oncologia: molecularização da decisão cirúrgica
A trilha 3 — Neuro-Oncology — é provavelmente onde a relação custo-benefício de presença é mais alta. As sessões de glioblastoma/malignant glioma (3.2) e genética e biologia molecular (3.8) são o locus onde a classificação WHO 2021 — IDH, MGMT, TERT, CDKN2A/B — encontra a mesa cirúrgica. O neurocirurgião que ainda toma decisões de extensão de ressecção sem correlacionar com o perfil molecular do paciente sairá desse congresso com o protocolo desatualizado.
A sessão 3.7 — Adjuvant, Experimental and Local Therapies tende a concentrar dados sobre carmustina implantável (Gliadel®), TTFields (Optune®) e estratégias de drug delivery intratumoral. São dados que o oncologista discute com o neurocirurgião na reunião multidisciplinar — e que o cirurgião frequentemente desconhece em profundidade.
Baixo-grau (3.1) tem recebido atenção crescente pós-INDIGO trial (vorasidenib em gliomas IDH-mutados grau 2): quando operar, quanto ressecar, e como o perfil IDH1/IDH2 recalibra o timing da intervenção cirúrgica.
Neurocirurgia funcional: DBS além do Parkinson
A trilha 8 — Functional Neurosurgery — é onde as fronteiras de indicação estão sendo redesenhadas em tempo real. A sessão 8.2 — DBS for New Indications (demência, doença psiquiátrica, epilepsia) não é especulação acadêmica: há dados de fase II para DBS em área 25 de Brodmann (depressão resistente), núcleo do fórnice (Alzheimer) e núcleos do tálamo (epilepsia refratária). O neurocirurgião funcional que atende pacientes psiquiátricos precisa conhecer esse pipeline — porque o psiquiatra vai perguntar.
Neuromodulação e técnicas restaurativas (8.6) inclui interfaces cérebro-máquina aplicadas à reabilitação motora pós-AVC e lesão medular — área onde BrainGate, Neuralink e grupos europeus publicaram dados em 2023–2024 com implicações diretas para indicação e timing cirúrgico.
Neurovascular: aneurismas não rotos e a crise da decisão
A trilha 1 — Vascular Neurosurgery — com sessões dedicadas separadamente a aneurismas não rotos (1.1) e aneurismas rotos + HSA (1.2) reflete o que é clinicamente urgente: os critérios de tratamento de aneurismas não rotos continuam heterogêneos. PHASES score, UIATS, PHASES-2 — e os dados japoneses do UCAS Japan — frequentemente apontam em direções diferentes para o mesmo paciente. Esse congresso deve trazer atualização sobre os estudos PROTECT-U e análises de coortes europeias com seguimento longo.
A sessão de hemorragia intracerebral espontânea (1.7) deve abordar os dados do MISTIE III e suas implicações para drenagem cirúrgica minimamente invasiva — um debate que ainda divide guidelines americanos e europeus.
Radiosurgery: o estado real do gama vs. LINAC vs. CyberKnife
A trilha 7 integra radiosurgery para metástases (7.1), tumores primários (7.2) e — importante — epilepsia (7.7) e distúrbios do movimento (7.5). A sessão de metástases deve contextualizar os dados de SRS vs. WBRT pós-NCCTG N0574 e as estratégias de SRS para múltiplas metástases (>10 lesões). A sessão de epilepsia deve cobrir radiosurgery com Gamma Knife para hipocampo — alternativa para epilepsia temporal mesial em pacientes não candidatos à cirurgia aberta.
Monitorização neurofisiológica intraoperatória: a trilha 17 merece atenção
IONM — Intraoperative Neurophysiological Monitoring (Trilha 17) não é rotineiramente bem coberta em congressos oncológicos ou vasculares. A integração de MEP, SEP, D-wave e mapeamento cortical com ultrassom intraoperatório e neuronavegação em tempo real é o padrão que hospitais de referência europeus já praticam — e que muitos centros brasileiros ainda estruturam. Essa trilha entrega protocolo, não teoria.
Tecnologias emergentes: o que não é hype
A trilha 12 — Emerging Technologies and Innovation tende a concentrar o que está entre o paper e a prática. Nos últimos dois ciclos do EANS, essa sessão trouxe dados sobre:
- Realidade aumentada intraoperatória (sobreposição de tractografia difusão-tensor no campo cirúrgico)
- Robótica em neurocirurgia — sistemas como ROSA® e Mazor® em cirurgia de coluna e implantação de eletrodos de DBS
- IA para segmentação automática de tumores em ressonância multiparamétrica (perfusão, espectroscopia, BOLD)
O neurocirurgião que quiser distinguir o que está em uso clínico real do que ainda é demonstração de engenharia precisará estar nessa sessão com espírito crítico — porque o viés de inovação é alto em eventos com grande exposição industrial.
Neurocirurgia geriátrica: a trilha 18 e o elefante na sala
Geriatric Neurosurgery (Trilha 18) é nova no portfólio EANS e responde a uma realidade demográfica europeia: a maioria dos pacientes com glioblastoma, meningioma grau 2 e hemorragia intracerebral tem mais de 65 anos. Os critérios de fragilidade — Clinical Frailty Scale, índice de Barthel pré-operatório, reserva cognitiva — estão sendo incorporados aos protocolos de indicação cirúrgica. Isso não é geriatria. É neurocirurgia com estratificação de risco mais sofisticada.
O que a EANS Academy oferece além do congresso
A EANS mantém biblioteca online via EANS Academy — relevante para quem não consegue comparecer a Hamburgo. Os cursos europeus de treinamento em neurocirurgia e os programas de fellowship/observership têm critérios de seleção publicados e representam alternativa estruturada para formação pós-residência, especialmente em centros sem volume suficiente para treinamento em base de crânio ou neurocirurgia funcional complexa.
Explorar mais: Este evento faz parte do nosso acervo de Congressos de Internacional.
NR: Nossa equipe analisou a programação científica do Congresso EANS 2026: IA, neuro-oncologia e inovação técnica (Hamburgo) e selecionou os eixos que definem o futuro da especialidade. Esta seleção reflete uma perspectiva focada em pesquisadores com forte trânsito entre a bancada de laboratório e a prática clínica. Vale ressaltar que a lista fornecida é composta por nomes de altíssimo calibre, e outros profissionais presentes também teriam mérito absoluto para compor um painel de qualquer congresso internacional de alto nível.
