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XIII CLB: o que o intensivista precisa extrair de três dias em Fortaleza

Trabalhos Científicos

  • Data Limite: 30/05/2026 às 23:59:00
  • Data do Resultado: 05/05/2026
  • Idioma: Português
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Já está confirmado: o XIII CLB: o que o intensivista precisa extrair de três dias em Fortaleza acontecerá em 2026. As atividades terão início às 08H30, sediadas no Gran Mareiro Eventos, em Fortaleza/CE.


6 min de leitura

XIII Congresso Luso-Brasileiro de Medicina  reúne AMIB e SPCI com sepse, hemodinâmica e IA

O XIII Congresso Luso-Brasileiro de Medicina Intensiva, organizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB),  Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos (SPCI) e pela regional AMIB-CE, centraliza em Fortaleza três dias de programação que escapam do formato expositivo convencional. A lógica do evento é outra: sessões pró e contra, bate-papos com editores, mesas sem slide. O intensivista que chega esperando aulas sai com dúvidas mais bem calibradas — e é isso que importa.

O programa do XIII Congresso Luso-Brasileiro de Medicina Intensiva não descreve tendências — ele as confronta.

Sepse: imunidade, populações especiais e o pós-ANDROMEDA-2

A grade não trata sepse como assunto resolvido. Pedro Pôvoa (Portugal) abre com avaliação da resposta imune — da bancada ao beira leito. O salto entre biomarcadores e decisão clínica é exatamente onde a maioria dos protocolos falha, e Pôvoa tem publicações que sustentam uma leitura não convencional do papel do procalcitonina sequencial.

Flávio Nacul cobre sepse em populações especiais: idosos, oncológicos, crônicos. A questão não é epidemiológica — é operacional. Quando aplicar os critérios do Sepsis-3 em paciente onco-hematológico em uso de corticoide? O score SOFA perde especificidade. A sessão coloca esse problema em cena.

Na hemodinâmica, Fernando Suparregui Dias responde ao que mudou no manejo pós-ANDROMEDA SHOCK 2. O estudo revisitou a hiperlactatemia como alvo de ressuscitação. A implicação prática é direta: pressão de perfusão venosa anormal pode ter mais valor prognóstico do que o clearance de lactato isolado.

Analgo-sedação: benzodiazepínicos ainda têm espaço?

A conferência de abertura do terceiro dia coloca em cena o suporte respiratório não invasivo com Marcelo Alcântara Holanda. Mas é a sessão temática sobre analgo-sedação que vai gerar mais atrito. Lúcio Couto de Oliveira Junior defende ou questiona o espaço restante dos benzodiazepínicos — framing deliberadamente ambíguo, que força a audiência a construir sua própria posição antes de entrar na sala.

Rui Moreno (Portugal) aborda analgesia e sedação em cenários complexos: neurocrítico, choque, disfunção orgânica múltipla. Aqui o protocolo padrão desmorona. CPOT, escala RASS e CAM-ICUsão ferramentas — mas o intensivista ainda precisa decidir qual hipnótico usa quando o paciente está em choque distributivo com PAM de 58 sob doses crescentes de noradrenalina. Moreno tem dados para isso.

Tamara Mello fecha o bloco com síndrome de abstinência — tema que não aparece nos guidelines com a frequência que deveria, dado o tempo médio de internação em UTI no Brasil.

AVC isquêmico: novos trombolíticos e o dilema endovascular

Viviane Cordeiro Veiga apresenta incorporação de novos trombolíticos no AVCI — tenecteplase vs alteplase, janela terapêutica, perfil de paciente. João Gonçalves Pereira (Portugal) questiona se a terapia endovascular encerrou a era do trombolítico. A resposta não é sim nem não. É: depende do tempo de isquemia, do ASPECTS, da disponibilidade de hemodinâmica intervencionista no serviço. Rui Moreno fecha com craniectomia descompressiva no AVCI maligno — indicação, timing, escore de prognóstico e o difícil diálogo com a família.

Blood purification na sepse: o duelo que define protocolo

A sessão pró e contra de blood purification é provavelmente o momento de maior tensão intelectual do congresso. Pedro Fidalgo (Portugal) defende. Filipe Sousa Amado contra-argumenta. O pano de fundo é o fracasso de estudos com hemoadsorção por CytoSorb em demonstrar benefício em mortalidade de forma consistente — mas os dados de clearance de endotoxina e IL-6 continuam gerando interesse clínico. Nenhuma resposta certa. Muita especificidade técnica.

Cuidados paliativos em UTI: ética que opera na prática

A sessão de cuidados paliativos no terceiro dia não é sobre filosofia. Sabrina Ribeiro define critérios para introdução precoce de CP na UTI — incluindo quando o diagnóstico de limitação de suporte deve ser explicitado no prontuário. Zilfran Teixeira cobre aspectos éticos e clínicos da adequação do suporte: a diferença entre limitação e suspensão tem peso legal e moral diferente no Brasil e em Portugal, e essa divergência lusófona raramente é discutida com honestidade nos eventos nacionais.

António Martins (Portugal) fecha com comunicação em situações complexas — um domínio que a maioria dos programas de residência em terapia intensiva ignora até o segundo ano.

IA na UTI: sistemas de apoio ou substituição do julgamento?

A conferência de abertura do segundo dia — Filipe André Gonzalez (Portugal) sobre IA no dia a dia da UTI — e a palestra de Ciro Leite Mendes sobre sistemas de apoio à decisão clínica formam um par que precisa ser lido em conjunto. O congresso não celebra a IA. Ele a coloca sob pressão: onde o modelo preditivo agrega, onde ele distrai e quando a monitorização multimodal com suporte algorítmico produz resultados melhores do que o julgamento clínico isolado.

O intensivista extramuros e a UTI verde

Dois temas fora do eixo clínico convencional merecem atenção. A sessão sobre intensivista extramuros — com Paulo Mergulhão (Portugal) discutindo Time de Resposta Rápida e Ederlon Rezende sobre o futuro do cuidado crítico fora da UTI — reconhece um problema real: o paciente deteriora antes de chegar à UTI, e o intensivista precisa de protocolos de atuação nos andares.

A conferência “UTI Verde”, com Mergulhão e Patricia Mello, aborda pegada ambiental da terapia intensiva. Pode parecer distante da prática. Não é. Hospitais com certificação verde têm indicadores de qualidade melhores em dez dos doze itens do IHI Global Trigger Tool. A correlação não é causal — mas é suficiente para entrar no radar da gestão.

O que levar do congresso para o próximo plantão

O XIII CLB oferece ao intensivista brasileiro e português um raro encontro de sistemas de saúde diferentes que tratam dos mesmos pacientes. Portugal tem maior taxa de doação de órgãos por habitante da Europa — e a mesa redonda sobre morte encefálica com Paulo Mergulhão e Cristiano Franke não vai ignorar esse dado. O Brasil tem volume. Portugal tem protocolo. Três dias para cruzar os dois.

A sessão “Desafios em cenário de limitação de recursos” com Rui Moreno (gestão), Pedro Pôvoa (pesquisa) e Patricia Mello (formação) fecha o segundo dia com uma pergunta que cada participante vai levar para casa: o que eu mudo na minha UTI na semana que vem?

NR: Nossa equipe analisou a programação científica do XIII CLB: o que o intensivista precisa extrair de três dias em Fortaleza e selecionou os eixos que definem o futuro da especialidade. Esta seleção reflete uma perspectiva focada em pesquisadores com forte trânsito entre a bancada de laboratório e a prática clínica. Vale ressaltar que a lista fornecida é composta por nomes de altíssimo calibre, e outros profissionais presentes também teriam mérito absoluto para compor um painel de qualquer congresso internacional de alto nível.

XIII CLB: o que o intensivista precisa extrair de três dias em Fortaleza.
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