Trabalhos Científicos
- Data Limite: 31/05/2026 às 23:59:00
- Data do Resultado: 22/06/2026
- Idioma: Inglês
Já está confirmado: o Cobrac 2026: Evidências digitais redefinem a cirurgia bucomaxilofacial (Natal/RN) acontecerá em 2026. As atividades terão início às 08H30, sediadas no Centro de Convenções de Natal, em Natal/RN.
Ferramentas digitais associadas a problemas clínicos concretos no Cobrac 2026
A promessa de discutir “evidências científicas na era digital” poderia facilmente descambar para uma sequência de apresentações sobre softwares, inteligência artificial e impressão 3D. O que diferencia esta programação é que as ferramentas digitais aparecem quase sempre associadas a problemas clínicos concretos: reconstruções mandibulares complexas, cirurgia da ATM, trauma facial, apneia obstrutiva do sono e planejamento ortognático.
A cirurgia ortognática personalizada domina o evento de forma quase obsessiva. Ela aparece em conferências, cross fires, simpósios internacionais e discussões de casos. Quando Philipp Jürgens discute cirurgia ortognática customizada sem guia oclusal, quando Weber Céo Cavalcanti questiona os limites da acurácia cirúrgica e quando Fernando Melhem entra nos debates sobre customização, o que está em jogo não é apenas tecnologia. É uma mudança de paradigma na forma como o cirurgião transfere planejamento para execução.
A articulação temporomandibular ocupa outro eixo de enorme densidade científica. Larry Wolford retorna repetidamente ao programa com sua experiência em próteses personalizadas de ATM, enquanto nomes como Max Heiland, Raymond Wong, Ignacio Zubillaga Rodríguez e Sergio Olate exploram reconstrução articular, artroscopia e integração entre cirurgia ortognática e ATM. Poucas áreas da especialidade apresentam simultaneamente tantas discussões sobre tecnologia, indicação cirúrgica e resultados de longo prazo.
A apneia obstrutiva do sono surge como uma das fronteiras mais interessantes da programação. O debate deixa de ser exclusivamente anatômico para incorporar vias aéreas, sonoendoscopia, cirurgia ortognática, expansão maxilar e crescimento craniofacial. A presença de Mohamed Ghanem, Ahmad Alkandari, Wan Chi Ching Joan, Nicolás Solano Parra e diversos especialistas brasileiros sugere um encontro entre diferentes escolas que ainda discordam sobre vários aspectos do tratamento, exatamente o tipo de tensão científica que costuma gerar discussões produtivas.
Trauma facial e reconstrução representam talvez o segmento mais internacionalizado do congresso. David Powers, Andreas Sakkas, Robert Sader, Rui Fernandes, Gregorio Aniceto e Juan José Larrañaga aparecem em sessões que percorrem desde lesões balísticas até reconstruções microcirúrgicas complexas. O destaque não está apenas na experiência acumulada desses grupos, mas na convergência entre navegação cirúrgica, planejamento virtual e implantes específicos para cada paciente.
A inteligência artificial aparece de forma mais madura do que em muitos eventos médicos recentes. Em vez de ocupar espaço como tema futurista, ela é apresentada como ferramenta operacional. João Gonçalves discute o “cirurgião aumentado”, Mauricio Kostyuk aborda automação e gestão com IA, Fernando Duque explora aplicações na cirurgia oral e implantodontia, enquanto Dean Murad leva a discussão para marketing e captação de pacientes. É uma abordagem pragmática, distante da retórica frequentemente encontrada em congressos que tratam IA mais como tendência do que como prática.
Um sinal interessante da maturidade da programação está nas sessões “Meu Pior Caso”. Pseudoartrose, reoperações ortognáticas, complicações vasculares, infecções graves, falhas de expansão maxilar e reconstruções problemáticas recebem espaço semelhante ao das conferências magnas. Isso costuma ser um indicador confiável de qualidade científica: especialidades amadurecem quando passam a discutir seus fracassos com a mesma visibilidade dedicada aos sucessos.
Também chama atenção a coexistência entre temas de altíssima complexidade reconstrutiva e assuntos ligados à prática diária. Cirurgia oral, terceiros molares, parestesias, implantes, fissuras labiopalatinas, estética facial e atendimento no SUS aparecem lado a lado. Essa amplitude evita que o evento se transforme em um congresso voltado apenas para centros terciários altamente especializados.
O aspecto mais forte da programação, porém, é outro. A digitalização não é apresentada como destino inevitável, mas como objeto de validação clínica permanente. Quando se discutem implantes personalizados, navegação cirúrgica, cirurgia customizada, impressão 3D ou inteligência artificial, a pergunta recorrente não parece ser “o que a tecnologia permite fazer?”. A pergunta é mais difícil: “o que realmente melhora o resultado para o paciente?”. É exatamente essa diferença que separa inovação genuína de marketing tecnológico.
Alguns palestrantes internacionais
- Larry M. Wolford – Referência histórica mundial em ATM e cirurgia ortognática. Sua participação atravessa múltiplas sessões centrais do congresso, evidenciando influência duradoura na especialidade.
- David B. Powers – Presença estratégica nos módulos de trauma facial, reconstrução e lesões balísticas. Atua em temas diretamente ligados à tomada de decisão em cenários complexos.
- Rui Fernandes – Responsável pela palestra magna sobre reconstrução maxilofacial. Sua atuação conecta oncologia, reconstrução microcirúrgica e planejamento avançado.
- Robert Sader – Nome relevante em trauma facial complexo. Sua conferência sobre lesões de guerra traz experiência pouco frequente em eventos latino-americanos.
- Majeed Rana – Figura central nas discussões sobre reconstrução digital, implantes específicos para pacientes e tecnologias emergentes.
- Andreas Sakkas – Participa de debates sobre trauma, reconstrução e cirurgia ortognática personalizada. Representa uma das escolas europeias mais influentes da área.
Alguns palestrantes brasileiros
- Mário Francisco Real Gabrieli – Participa repetidamente das palestras magnas e discussões centrais. Sua presença transversal indica protagonismo nacional no tema ortognático.
- Eduardo Hochuli Vieira – Envolvido em debates sobre evidências científicas e aspectos contemporâneos da ortognática. Figura recorrente nas sessões de maior visibilidade.
- Sergio Olate – Embora tenha atuação internacional, aparece fortemente integrado à programação brasileira. Lidera discussões sobre ATM, reconstrução e previsibilidade cirúrgica.
- André Vajgel – Responsável por temas ligados à reconstrução alveolar e reconstruções complexas. Atua em um dos segmentos mais desafiadores da especialidade.
- Patrícia Radaic – Presente em discussões de ATM baseada em decisão clínica e também na liderança de iniciativas voltadas à participação feminina na especialidade.
- Fernando Melhem – Participa de sessões sobre expansão maxilar, customização ortognática e planejamento cirúrgico. Atua em temas diretamente ligados à transformação digital da área.
NR: Esta seleção foi elaborada com base na análise da programação científica do Cobrac 2026 e reflete critérios editoriais próprios, com foco em pesquisadores com atuação simultânea na pesquisa e na prática clínica. A lista não é exaustiva — outros profissionais presentes no congresso teriam mérito equivalente para integrar qualquer painel científico internacional.
Explorar mais: Este evento faz parte do nosso acervo de Congressos de Traumatologia Buco-Maxilo-Facial e do calendário de eventos médicos em RN.
NR: Nossa equipe analisou a programação científica do Cobrac 2026: Evidências digitais redefinem a cirurgia bucomaxilofacial (Natal/RN) e selecionou os eixos que definem o futuro da especialidade. Esta seleção reflete uma perspectiva focada em pesquisadores com forte trânsito entre a bancada de laboratório e a prática clínica. Vale ressaltar que a lista fornecida é composta por nomes de altíssimo calibre, e outros profissionais presentes também teriam mérito absoluto para compor um painel de qualquer congresso internacional de alto nível.
